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domingo, 24 de julho de 2011

O Liberalismo e seus princípios - Parte I

O liberalismo é algo exaustivamente debatido e que apesar disso está longe de chegar a uma conclusão final. Seja qual for o período abordado sempre se fará necessário levantar questões essenciais inerentes ao liberalismo e retomarmos os pensamentos dos filósofos do liberalismo do século XVI e XVII até os dias atuais. Temas como propriedade, liberdade, Estado, individualismo, intervencionismo estarão sempre na puta de qualquer discussão liberal, seja qual for a época. Isso porque a capacidade de ajuste das teorias liberais a realidades distintas, a fim de legitimar determinadas ordens sociais, juntamente com uma diversificação das abordagens por diversos autores nos angaria uma complexa dificuldade de interpretação única e definitiva do liberalismo.

Além de nos depararmos com essa adaptação a realidades diferentes temos que lidar com uma diversificação na denominação do liberalismo. Para Harold Laski, que possui certa perspectiva crítica, o liberalismo é tido como uma importante doutrina ocidental e é visto ora como uma teoria do Estado, ora como uma filosofia ou como um modo de vida. Ele vê o liberalismo como uma “luta de espíritos” que surge ao final do século XV com o espírito capitalista alcançando uma posição preponderante em contraposição a um espírito arraigado por um conjunto de tradições e regras morais imposta pelas autoridades religiosas e que ao final do século XVII o liberalismo já tinha suas bases estabelecidas (LASKI, 1973).

Autores como Norberto Bobbio entende o liberalismo como uma doutrina relacionada, principalmente, ao Estado no qual este tem poderes e funções limitadas, sendo a doutrina dos direitos naturais “o núcleo doutrinal do Estado liberal” (BOBBIO, 2000). Assim, podemos entender que o Estado liberal se justifica com um acordo entre indivíduos livres, a fim de estabelecer uma relação pacífica e duradoura. Ludwing Von Mises em seu livro Liberalismo segundo a tradição clássica expõe uma visão bastante otimista do liberalismo, entendendo e colocando o liberalismo como uma doutrina, porém não como uma doutrina completa. Mises entende que o liberalismo nunca alcançou seu desenvolvimento pleno, mas o pouco que a política liberal se desenvolveu já foi suficiente “para mudar a face da terra” (MISES, 1987 p. 14)

O liberalismo sempre irá nos apresentar de diversas maneiras, por vários autores e vários tipos de abordagens. Muitos criticando as idéias liberais outros as justificando e às vezes até elevando-as. Laski em sua obra O Liberalismo Europeu expõe uma visão crítica em relação ao liberalismo, entende-o como um processo revolucionário que trouxe vários benefícios e um enorme progresso, porém, por vezes expões as contradições do liberalismo. Usando termos como “relações produtivas” e “condições materiais” (LASKI, 1973 p. 67)


Mateus Malvestio

Graduado em História - Unesp e Prof. da Rede Estadual de Ensino.

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